Para comprar disco de vinil usado sem pagar caro, a receita do jornalista e colecionador Marcelo Scherer, do canal Disconecta, tem três partes: garimpar em vários lugares com paciência, examinar capa, encarte e o próprio disco antes de pagar e conferir o preço do álbum em referências de mercado antes de fechar negócio. A importação entra como alternativa, com custos extras que mudam com o tempo.
Este guia reúne as ideias de quatro vídeos do canal: dois de 2021 sobre onde achar e como avaliar vinis usados, e dois de 2024 e 2025 sobre discos importados. Preços, impostos e lojas citados nos vídeos mais recentes são dados do momento em que foram gravados, e cada um aparece aqui com a respectiva data.
Onde comprar disco de vinil barato
Antes da lista, três avisos que o Marcelo faz no início do vídeo. O que é barato para você pode não ser para outra pessoa. O vinil vive um mercado aquecido (em 2021, quando o vídeo foi publicado), com muita gente procurando os mesmos títulos, o que empurra os preços para cima. E disco importado costuma custar mais por causa da taxação e da valorização, enquanto a raridade eleva o preço de quem tem poucos exemplares circulando.
No fim, o fator que mais pesa, segundo ele, é quanto tempo você está disposto a gastar pesquisando. Os lugares abaixo são todos canais em que ele mesmo já comprou.
No vídeo abaixo, publicado em agosto de 2021, o Marcelo percorre cada um desses lugares.
Sebos
É o lugar clássico do colecionador. Os sebos generalistas, que misturam livros, roupas e até móveis, tendem a ter os preços mais baixos, porque quem vende nem sempre sabe quanto o mercado cobra por vinil. Os especializados costumam ser um pouco mais caros, mas dão mais chance de achar um disco raro.
Os pontos fracos: o estado dos discos nem sempre é bom (não é regra, mas acontece) e fica mais difícil encontrar um título específico da sua lista de desejos. Em Porto Alegre, por exemplo, há lojas de discos em Porto Alegre para começar o garimpo.
Leilões
Os leilões, sobretudo os digitais, podem render bons achados. Mas nem sempre aparece o disco que você quer, nem tudo sai barato, e a disputa por lances pode levar a pagar mais do que pretendia. Outro cuidado: as fotos do anúncio nem sempre mostram o estado real do álbum.
Marketplaces
Plataformas em que vendedores encontram compradores. Há as generalistas, como Mercado Livre, Shopee e Enjoei, e as especializadas em música, como o marketplace da própria Disconecta. Muita gente reclama de preço alto, mas o Marcelo defende que, com pesquisa e um pouco de sorte de achar o disco certo no momento certo, dá para encontrar preços acessíveis.
Lojas especializadas em vinil
Mesmo sem grandes fábricas de títulos internacionais no país, existem lojas que vendem discos novos e usados a preços razoáveis. Nelas, você evita a espera da importação, que o Marcelo estimava em cerca de três meses. Em compensação, não é o caminho mais fácil para pechinchar.
Feiras ao ar livre
Funcionam na mesma linha dos sebos, com predominância de discos usados. Vale olhar tanto feiras de vinil quanto as de artesanato e antiguidades: algumas barracas têm LPs guardados num canto. A variedade é menor, mas o preço pode surpreender.
Instagram e grupos de Facebook
Lojistas e sebos publicam o catálogo no Instagram, o que facilita achar discos do seu gosto. Já as comunidades de Facebook, em diversas cidades, deixam você falar direto com quem vende, com boas ofertas de usados. Nos dois casos valem os cuidados de toda compra online: perguntar se o disco está arranhado ou com chiado e se a capa está em bom estado.
Como avaliar um disco de vinil usado
Cada álbum tem um preço próprio, e o Marcelo olha quatro pontos antes de pagar: estado da capa, do encarte, da mídia e o valor de mercado, que depende da raridade do título. Se você está começando, o guia como começar uma coleção de vinil ajuda a definir por onde começar.
No vídeo a seguir, de setembro de 2021, ele mostra na prática o que observa em cada item.
A capa
É a primeira coisa que você vê, e em muitos casos já basta para desistir da compra. Observe se há amassados ou rasgos, principalmente na abertura por onde o disco entra e sai, que cede com o manuseio. Veja também os cantos: quanto mais gastos, menos vale o exemplar. Capa é papel, e o tempo desgasta, então um exemplar novo e com cantos intactos deve ser avaliado acima de um usado.
O encarte
Os mesmos critérios valem aqui. O encarte pode estar ausente, o que diminui o valor do disco, ou mofado, manchado, amassado ou rasgado. Os mais finos sofrem quando o disco é guardado de forma descuidada, e a pontinha vai se amassando com o tempo.
A mídia
Para o colecionador, capa e encarte conservados importam, mas o que decide é o disco. Procure riscos, arranhões e pulos. Uma faixa que soa como fritura (o "frango frito" de que o Marcelo fala) vem de desgaste por excesso de uso ou de sujeira acumulada nos sulcos, e a falta de limpeza do dono anterior é um motivo comum. Um arranhão que não faz a agulha pular ainda pode gerar estalos audíveis. Já o pulo, quando o risco é fundo, dificilmente tem conserto, mesmo com limpeza. Se o disco só estiver sujo, o guia como limpar disco de vinil mostra o caminho.
Graduação de conservação
Para descrever o estado de forma padronizada, o mercado usa a escala Goldmine, que vai de Mint (praticamente novo) a Poor (muito deteriorado), passando por Near Mint, Very Good Plus e Very Good. No vídeo sobre como vender discos, o Marcelo recomenda justamente pesquisar esse padrão. Ao comprar, vale pedir ao vendedor a classificação do disco e da capa separadamente.
Raridade e valor de mercado
Quanto menos exemplares no mercado, mais caro o disco. Como referência de preço, o Marcelo cita três plataformas:
- Discogs: a mais conhecida, internacional e com enorme número de itens; serve também para consultar o valor dos discos da sua coleção.
- Mercado Livre: muito usado por vendedores para precificar, às vezes com valores fora da realidade, mas bom ponto de partida.
- Disconecta: marketplace do canal, que em 2021 ampliava o catálogo.
Esses números são preços pedidos, não preços fechados. Por isso, se o vendedor está acima da média, há espaço para negociar.
Como comprar disco de vinil importado: custos, impostos e prazos
Importar é a forma de ter acesso a títulos que não chegam às lojas nacionais, mas o preço final nunca é só o do disco: soma-se frete, impostos e taxas, além do tempo de espera. No vídeo de 2021, o Marcelo contava cerca de três meses para a chegada do disco.
Atenção: o que segue vem de dois vídeos, de dezembro de 2024 e abril de 2025. Valores, promoções e regras tributárias mudam, e nada aqui garante que continue valendo hoje. Confira sempre o preço final no momento da compra. Para entender a mudança tributária, veja o que mudou para o colecionador com o fim da taxa das blusinhas.
Clube de assinatura de vinis (vídeo de dezembro de 2024)
Em dezembro de 2024, o Marcelo apresentou a Vloot, um clube de assinatura de discos de vinil. O vídeo é de divulgação do clube. No contexto, ele citava um momento de preços altos, com imposto de importação e dólar em alta.
O diferencial que ele destacou é o perfil: você informa quantos discos tem, os gêneros e artistas de que gosta, o que não quer receber, a proporção de nacionais e internacionais e até se prefere disco colorido ou de estúdio. Na avaliação dele, isso evita o problema dos clubes tradicionais, em que a curadoria fica na mão de quem monta a caixa e só dois ou três dos doze discos do ano acabam agradando. Segundo o vídeo, quem receber um LP repetido pode pedir troca.
Promoções de LPs importados (vídeo de abril de 2025)
Em abril de 2025, o Marcelo mostrou uma promoção de LPs importados em uma grande loja online, com desconto extra de 20% aplicado só na finalização da compra. Na comparação dele, o preço ficava abaixo do que a iMusic, referência de importados, costumava praticar, sobretudo ao somar frete (que ele estimava entre R$ 50 e R$ 70, conforme o peso) e as taxas da época.
A promoção não se aplicava a toca-discos, e o próprio Marcelo avisava que esse tipo de oferta costuma ser rápida. O vídeo traz uma lição prática que vale além daquele dia: o desconto adicional só aparece no fechamento, então clique em comprar agora e confira o preço final antes de decidir, porque alguns anúncios avisam do desconto e outros não.
Checklist antes de importar
- Some o preço do disco, o frete, os impostos e as taxas, em vez de olhar apenas o valor do anúncio.
- Compare com o preço do mesmo título em loja nacional e nos marketplaces.
- Considere o prazo: importar pode levar semanas ou meses.
- Confirme se o disco é novo e lacrado ou usado, e peça o estado da capa e da mídia.
Depois da compra, proteja o disco. O guia como guardar e conservar discos de vinil explica como manter o investimento em bom estado.
Perguntas frequentes
Onde comprar disco de vinil usado mais barato?
Em sebos generalistas, feiras ao ar livre, grupos de Facebook e perfis de Instagram, que costumam ter bons preços, mas exigem tempo de busca. Marketplaces e leilões também rendem boas oportunidades.
Como saber quanto pagar em um vinil usado?
Avalie capa, encarte e mídia e pesquise o preço do mesmo título em Discogs, Mercado Livre e na Disconecta. Lembre que são preços pedidos pelos vendedores, então há margem para negociar.
O que mais pesa no valor de um disco de vinil usado?
O estado do disco em si, porque riscos, estalos e pulos comprometem a audição. Capa, encarte e raridade do título também entram na conta.
Vale a pena importar discos de vinil?
Depende do preço final. É preciso somar frete, impostos e prazo e comparar com o valor em lojas nacionais. Os exemplos dos vídeos de 2024 e 2025 mostram que as condições mudam, então pesquise na hora.
