AAD, ADD e DDD são três letras impressas em muitos CDs do início dos anos 1980 até meados dos anos 1990. Elas indicam, nesta ordem, se a gravação, a mixagem e a masterização do álbum foram feitas em equipamento analógico (A) ou digital (D). Num CD, a terceira letra é sempre D, porque a masterização para o disco é digital. Já a primeira e a segunda mudam conforme o processo do estúdio.
Este guia explica o que cada código quer dizer, se ele pesa na hora de escolher um disco, onde procurar a sigla e também o que são os CDs SMD, uma mídia brasileira pouco lembrada. O conteúdo reúne dois vídeos do jornalista e colecionador Marcelo Scherer, no canal Disconecta, publicados em abril de 2025. As avaliações de qualidade e as vivências são dele.
O que significam AAD, ADD e DDD num CD?
Cada letra corresponde a uma etapa da produção do álbum, sempre na mesma ordem: gravação, mixagem e masterização. A letra A indica etapa analógica; a letra D, etapa digital. As combinações que o Marcelo mostra são estas:
| Código | Gravação | Mixagem | Masterização |
|---|---|---|---|
| AAD | Analógica | Analógica | Digital |
| ADD | Analógica | Digital | Digital |
| DDD | Digital | Digital | Digital |
Um quarto código, AAA, indicava tudo analógico e aparecia sobretudo em LPs e fitas cassete, que também podiam trazer a sigla. No CD, a última letra nunca é A, já que o processo final, antes de ir para a fábrica, é a masterização digital.
Na época, o CD era uma tecnologia nova, vinda de um mundo totalmente analógico. Por isso, alguns discos traziam até uma pequena legenda explicando o que cada letra significava.
De onde vem o código SPARS e até quando foi usado?
A sigla vem do chamado código SPARS, um sistema de três letras criado no início dos anos 1980 pela Society of Professional Audio Recording Services para lançamentos comerciais em CD. A ideia era mostrar ao comprador, de forma simples, quando o equipamento do estúdio era analógico ou digital. No vídeo, o Marcelo lê a explicação na Wikipédia.
O código perdeu o apoio da própria entidade em 1991. Ela o considerou simplista demais diante da complexidade crescente das gravações e das mixagens. Mesmo assim, muitas gravadoras continuaram a usá-lo até cerca de 1995, o que explica por que ele aparece em discos de 1994, como dois CDs do Soundgarden que o Marcelo exibe. Depois disso, a sigla praticamente some.
No vídeo abaixo, ele mostra CDs da própria coleção com o código impresso e explica como ler cada letra.
O código AAD importa para o colecionador?
Na avaliação do Marcelo, sim, em certa medida. Ele diz que muita gente considera o AAD a melhor combinação sonora para CDs, porque parte de fitas originais da época, com gravação e mixagem analógicas, e só no final passa para o digital. Por isso, quando encontra o AAD, a orientação dele é ir atrás desse disco, já que, segundo ele, a qualidade faz muita diferença.
Ele relaciona o tema com um período posterior, conhecido como guerra do volume, no fim dos anos 1990 e início dos anos 2000. Nessa fase, os álbuns passaram a ser masterizados mais alto para soar no mesmo nível nas rádios FM, o que deixa a música mais achatada e reduz a dinâmica. Com o tempo, quase tudo se digitalizou e o DDD virou o padrão. O Marcelo lembra que até bandas que gravam e mixam em fita costumam passar para o digital na masterização, porque o processo analógico ficou menos prático.
Vale uma cautela de bom senso: o código descreve o processo declarado pela gravadora, não garante que aquela edição soe melhor que outra. A qualidade final também depende de como o álbum foi mixado e masterizado e de qual edição você tem em mãos. Ver a sigla é um bom critério para comparar, não um veredito. Se quiser saber que discos costumam valer mais entre colecionadores, veja os CDs mais caros. Para entender melhor por que o formato atrai quem coleciona, veja se vale a pena colecionar CD.
Como conferir o código no encarte e no disco?
Não há um local único, e o Marcelo mostra vários exemplos. Procure nesta ordem:
- Parte de trás da caixa e contracapa do encarte: no Brasil, é onde a sigla costuma aparecer, como nos CDs do Soundgarden que ele mostra, ao lado do logotipo da gravadora.
- Impressas no próprio disco: parte dos CDs traz o código na face impressa.
- Na lateral ou num canto: alguns exemplares têm as iniciais na borda do disco ou num cantinho, como em uma coletânea do Black Sabbath que ele exibe.
Se você não encontrar nada, não conclua que o disco é falso ou ruim. Muitos lançamentos, principalmente posteriores a 1995, simplesmente não trazem o código. E não confunda a sigla com os códigos de lote e de prensagem, que o Marcelo menciona no início do vídeo e que indicam a edição e a quantidade produzida. Se tiver dúvida sobre a autenticidade do disco, veja como identificar um CD pirata.
O que são os CDs SMD?
SMD é uma mídia brasileira, ligada a um disco semimetálico, criada para combater a pirataria de CDs e baratear o custo final de produção. No vídeo, o Marcelo mostra um exemplar da própria coleção e explica por que o formato quase ninguém conhece.
Como o SMD funciona?
O disco é semimetálico porque a camada metalizada, onde o laser faz a leitura, não cobre toda a superfície. Há uma área em branco que evita desperdício de material. Ele toca em um CD player comum, sem nada diferente, mas a capacidade é menor: cerca de 64 minutos de música. A economia também vinha da embalagem, que em vez de caixa de plástico era um envelope de papel do tipo digifile.
O formato foi criado por Ralf, da dupla sertaneja Christian e Ralf, em parceria com a Microservice, uma das maiores fabricantes de CDs do Brasil e da América Latina, que tinha exclusividade para produzir o SMD. O projeto foi patenteado.
Por que o SMD não vingou?
Pelo que o Marcelo conta, a principal razão foi a resistência das gravadoras, que queriam controlar toda a cadeia e perderam o interesse em um produto tão barato. Alguns artistas chegaram a lançar discos no formato. A chegada do iTunes, do MP3, da pirataria digital e dos serviços de streaming completou o cenário desfavorável.
O exemplar que ele tem é um single de Tonho Crocco, vocalista da banda gaúcha Ultramen, presente de um amigo. Na avaliação dele, a maioria dos colecionadores gosta da caixa de plástico, que protege melhor as bordas do disco, e duvida que o envelope fosse bem aceito por eles. Para ele, é curioso pensar que uma mídia inventada no Brasil poderia ter se tornado um padrão popular. Como o SMD toca em CD player comum, basta o aparelho que você já tem; se for trocá-lo, veja os melhores CD players.
Perguntas frequentes
O que significa AAD num CD?
Significa gravação analógica, mixagem analógica e masterização digital. É um dos códigos SPARS usados em CDs do início dos anos 1980 até cerca de 1995.
AAD é melhor que DDD?
Na avaliação do Marcelo e de muitos colecionadores, o AAD costuma ter um som considerado melhor, por partir de fitas analógicas originais. Porém, a sigla descreve o processo e não garante que uma edição supere a outra.
Onde fica o código AAD, ADD ou DDD no CD?
Geralmente na parte de trás da caixa, no encarte ou impresso no próprio disco, e às vezes na lateral ou em um canto. Muitos CDs, principalmente os posteriores a 1995, não trazem o código.
O que é um CD SMD?
É uma mídia brasileira de disco semimetálico e embalagem de papel, criada para baratear o CD e combater a pirataria. Toca em qualquer CD player, mas não vingou.
